terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ei Soldado!!! Porque lutas??



Ei Soldado!
Sim Senhor!!!
Porque ainda lutas soldado??? Não sabe que a guerra acabou e que nós perdemos??
Sim Senhor!!!
Então responda minha pergunta rapaz!!!
Sim!!! Sabe Senhor, minha história é um pouco longa, talvez não lhe interesse tanto, mas começa assim:
Meu nome é João, dizem que é um nome bonito, já me disseram que significa misericórdia de Deus, mas eu não acredito muito nessas coisas; eu vivia feliz, minha família era pobre, e sempre fui muito sozinho, aprendi desde de pequeno a lutar por mim e mais ninguém, até que no meu pré-primário senhor eu vi uma menininha construindo um castelo de areia e um certo alguém fora lá pra destruir a brincadeira delas, e adivinha pra quem pediram ajuda??? Eu mesmo!! A princípio não liguei pra aquilo, mas me doe ver aquele castelo destruído e olhar triste da garotinha me recriminando, eu poderia ter feito algo mas não fiz. Desde então senhor comecei a patrulhar aquele recreio, me sentia um guardião, ninguém destruía um castelinho de areia naquele pátio se eu tivesse por perto, até que fui crescendo. Descobri o amor caro General, e naquele momento eu comecei a construir o meu castelo de areia, mas as desilusões da vida vieram com um valentão,chutaram tudo aqui que construí, arrebentaram meus sonhos, enquanto eu olhava paro o meu coração e para as pessoas a minha volta pedindo ajuda, e sabe o que vi? O mesmo olhar de desinteresse que tive com a garotinha quando era criança, o mesmo tom de desprezo, e por mais que pedisse socorro ninguém me atenderia. Casei de construir castelos e ver eles desmoronando, e tive que aprender a lutar novamente, sozinho, aprender a me valer, me impor diante da vida, lutar sozinho, porque não vai aparecer alguém milagrosamente pra me ajudar. E finalmente  respondendo a sua pergunta General,eu sei que perdemos, eu sei que minha luta é em vão tanto na guerra quanto no amor, mas ainda existe uma parte burra de mim, imatura, ignorante, que luta pra defender castelos de areia, acreditando que um dia tudo muda e que seu pedido de socorro será atendido, o amor pode me derrubar, canhões podem me destruir, a coragem pode acabar, mas enquanto eu ainda tiver um pouco de loucura meu caro General não me peça pra recuar. E se eu morrer, por favor não sinta remorso, morrerei sabendo que lutei, que não fui covarde, e que finalmente terei meu castelinho de areia no céu, protegido, e um coração sarado de tudo que lhe afligiu!


                                                                                                                       João Af Maia

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